Escolas em Tempo Integral e Inclusão: A estrutura busca protagonismo do aluno ou é puro assistencialismo?

Escolas em Tempo Integral e Inclusão: A estrutura busca protagonismo do aluno ou é puro assistencialismo?

Saúde

Escola em tempo integral virou bandeira. Mais horas na escola, mais aprendizado, segundo o senso comum.
O Programa de Ensino Integral (PEI) possue alguns pilares definidos pela UNESCO: “Aprender a conhecer”, “Aprender a fazer”, “Aprender a conviver” e “Aprender a ser”.
Será que as escolas que participam desse sistema tem estrutura para atender as demandas necessárias?

O problema é o tempo ou o espaço?

Para uma criança ou adolescente neurodivergente: autista, com TDAH, transtorno sensorial ou qualquer outro transtorno, a escola típica brasileira é um campo minado. Luzes demais, sinos estridentes, corredores apertados, salas lotadas, barulho constante. Vamos imaginar como é sobreviver a isso por um dia inteiro por mais horas que uma escola convencional, isso está longe de ser inclusão. É confinamento. E o corpo responde: exaustão, crises, irritabilidade. Comportamentos que a escola lê como “indisciplina”, mas que são apenas gritos de um sistema nervoso em colapso.

E não é só para eles mas para qualquer aluno, a escola em tempo integral só faz sentido se o ambiente for diverso, acolhedor e intencional. Caso contrário vira depósito. Boa parte dos pais adoram a ideia de manter seus filhos o dia todo na escola: terceirizando a educação e esquecendo da responsabilidade em educar, e há os que chamem isso de modernidade. A escola não tem essa função. Escola é parceria, sem família presente, não há projeto que se sustente.

Então o que falta? Comecemos pelo óbvio: estrutura.

Onde estão as salas de aula flexíveis, com mobiliário que se adapta a diferentes formas de aprender? Onde estão os laboratórios de ciências, robótica, espaços maker? Bibliotecas que não sejam depósitos de livros empoeirados, mas centros vivos de pesquisa, criatividade e descoberta?

Cadê as quadras, os estúdios de arte, as salas de música e dança? Onde estão os refeitórios estruturados para a socialização e a educação nutricional, e não apenas para a logística da fome?

E o mais básico: áreas verdes, jardins, hortas. Uma árvore para o aluno sentar, observar, respirar e se conectar com a natureza, isso não é luxo mas sim regulação emocional, para sustentação de saúde mental.

Para os alunos neurodivergentes, a ausência é ainda mais grave. Precisamos de salas de descompressão sensorial: espaços silenciosos, com iluminação controlada, onde o aluno possa usufruir sem punição quando o mundo ficar pesado demais. Isso não existe na maioria das escolas. E sem isso, não há inclusão. Há sobrevivência.

E os adolescentes?

Para eles, a escola integral precisa entregar mais do que conteúdo curricular. Precisam de perspectivas para o futuro, desenvolver habilidades para projetar a vida: acompanhamento profissionalizante, testes vocacionais, propostas que conectem o saber acadêmico ao mundo do trabalho. O jovem precisa enxergar sentido no que estuda. Caso contrário, a escola vira sala de espera da vida adulta.

Não sou contra o tempo integral. Sou contra o tempo integral pela metade e disfuncional.

Sou contra a ampliação da jornada sem ampliação da estrutura. Escolas que recebem mais alunos, mas continuam com as mesmas quatro paredes. Contra o discurso da inclusão sem um centavo investido em acessibilidade, conforto ambiental, adaptação pedagógica ou formação de professores e equipe escolar.

Inclusão não se mede em horas. Mede-se em metros quadrados de espaço preparado, em quantidade de profissionais qualificados e especializados.

Escola em tempo integral sem estrutura não é acolhimento. É assistencialismo e confinamento, não educa e adoece.

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