Entre Pneus e Risadas: A Vida de um Borracheiro Inesquecível
Eugênio Donizete Justo nasceu em 16 de outubro de 1962. Filho de Abner Justo e Leonilda Belufe Justo, irmão de Adelso Justo, Eugênio cresceu cercado pelo trabalho duro, que cedo lhe ensinou valores que nunca abandonou: honestidade, esforço e respeito. Esses princípios moldaram não apenas o homem que ele se tornou, mas também a forma como marcou a vida das pessoas ao seu redor.
Genião, ou simplesmente Gordo, como era conhecido, trabalhou por 42 anos como borracheiro, profissão que exerceu com dedicação e orgulho. Sua trajetória começou na borracharia dentro do Posto Ambrósio e, mais tarde, seguiu trabalhando em um ponto próximo dali, onde construiu muito mais do que uma clientela: construiu amizades. Seu espaço não era só um local de trabalho, era um ponto de encontro, de conversa, de risada. Ao lado, o bar do Tocura era quase uma extensão desse mundo. E Eugênio, como muitos diziam em tom de brincadeira, parecia mesmo o “gerente” do lugar.
Ele tinha o dom de transformar momentos comuns em memórias inesquecíveis. Entre um serviço e outro, distribuía histórias, piadas e aquele seu jeito irreverente de enxergar a vida. Sua “irritação”, muitas vezes encenada, era parte do espetáculo, e os amigos provocavam só para ver a reação. Quando perguntavam sobre futebol, que ele não gostava, vinha a resposta inesperada: “Hoje joga a mãe, a avó, a tia…”, arrancando gargalhadas de todos.
Eugênio era um homem simples, que encontrava felicidade nas coisas simples da vida. Gostava de um bom churrasco, de uma cerveja gelada e, como muitos lembram com carinho, também apreciava uma boa pinga; sempre em meio a conversas, risadas e momentos de companheirismo. Gostava de estar na Fazenda Capoava ou no sítio na estrada de Itu, lugares onde o tempo parecia desacelerar e a vida fazia mais sentido.
Seu talento para imitar era lendário. Reproduzia vozes conhecidas, como Galvão Bueno e Faustão, mas também eternizava figuras da própria cidade em suas brincadeiras. E quando se juntava ao amigo Jair, o “Jair Gatinho”, não faltava coragem para cantar mesmo sem afinação, sobrava alegria. Amava a música sertaneja raiz, mas também vibrava com o rock de Dire Straits, Creedence e até o peso de Led Zeppelin.
Ao lado do amigo Zé Borracheiro, construiu uma parceria que ia além do trabalho. Era amizade, respeito e companheirismo. Eugênio conheceu pessoas de todos os lugares e, com cada uma delas, deixou um pouco de si.
Mas a vida também lhe trouxe desafios marcantes. Em um acidente de trabalho, um pneu estourou e atingiu sua perna, causando uma lesão grave. O atendimento demorou, e isso deixou sequelas que ele carregou pelo resto da vida. A dor, o inchaço e a marca visível que o acompanhava no dia a dia. Ainda assim, seguiu em frente, trabalhando, vivendo e sem perder sua essência. Anos depois, sofreu outro acidente, perdendo a ponta de um dedo. Mais uma vez, se recuperou e voltou à rotina, mostrando sua resistência e coragem diante das dificuldades.
Mas a vida ainda colocaria um dos momentos mais difíceis para a família: o acidente de seu filho, que resultou na amputação de parte do braço. Esse acontecimento abalou profundamente a todos. E, pouco tempo depois, a perda de sua esposa, Dona Edna, em 2012, após uma dura batalha contra a doença, parecia querer derrubar aquele homem de força inabalável. Mesmo diante dessas tempestades, Eugênio permaneceu sendo quem sempre foi: presença acolhedora, sorriso aberto, alma generosa.
Como pai, foi extraordinário. Para seus filhos, André e Leandro, deixou não apenas lembranças, mas ensinamentos. Valores que seguem vivos até hoje, guiando seus caminhos.
Eugênio Donizete Justo faleceu em2017, aos 54 anos de idade. Para os que o conheceram, fica a certeza de que ele apenas foi levar sua alegria para outro lugar onde possa continuar sorrindo, contando suas histórias, cantando e reunindo os amigos, como sempre fez. Ficou a saudade, as histórias que ainda são contadas e um legado de um homem simples, verdadeiro e de valores inegociáveis.

