O Rosto da Fé: A História de Dona Cida
O Rosto da Fé: A História de Dona Cida
Aparecida de Campos Leite nasceu em 15 de março de 1946, na cidade de Tietê, filha de Vicente e Adelina. Desde cedo, construiu sua vida com base em valores simples e profundos: fé, família, trabalho e dedicação.
Foi dona de casa e, ao lado de seu esposo, Admir Leite, construiu uma história de amor que atravessou cinco décadas. Dessa união nasceram três filhos: Agnaldo, Alex e Agnes. Durante muitos anos, viveu na Fazenda Pinhal e, depois, firmou residência na cidade, onde criou sua família com cuidado, força e carinho. A perda de seu companheiro marcou sua trajetória, mas nunca diminuiu sua essência e confiança em Deus.
Sua história com a fé ganhou um capítulo especial em 1977. Naquele ano, Dona Maria, responsável pelas roupas da igreja, a convidou para participar da tradicional procissão de Nosso Senhor Morto. O convite veio por um detalhe simbólico: seus longos cabelos pretos lembravam a figura de Maria Madalena, aquela que acompanhou o Cristo no Calvário.
Mesmo estando grávida de sua terceira gestação, Aparecida aceitou o chamado com coragem e devoção. Vestida de roxo, com luvas e cintos brancos, e com os cabelos cobrindo o rosto, deu vida à personagem com entrega e respeito.
Naquele primeiro ano, a procissão foi marcada por uma forte chuva, e a encenação precisou acontecer dentro da igreja. Mas isso foi apenas o começo de uma longa jornada.
Por 42 anos consecutivos, Dona Cida, como é carinhosamente conhecida, participou da procissão como Maria Madalena, tornando-se uma figura marcante e querida na tradição local.
Um dos momentos mais emocionantes era quando ela desenrolava o manto, revelando a face de Cristo ao som do canto fúnebre do Sermão das Dores de Maria; instante que tocava profundamente todos os presentes.
Sua dedicação atravessou gerações, iniciando sua participação na época do Padre Ghizzi e encerrando com o Padre Toninho. Somente deixou esse papel por questões de saúde, quando então entregou o vestido à igreja, como um gesto simbólico de encerramento de um ciclo de fé, amor e compromisso.
Hoje, em um novo desafio, Dona Cida inicia seu tratamento contra um câncer de pulmão. Com a possibilidade de perder os cabelos que um dia a conectaram à figura da mulher do Calvário, sua história ganha ainda mais significado e sensibilidade.
Esta biografia é mais do que um registro: é uma homenagem a uma mulher de fé inabalável, de amor profundo pela família e de uma presença marcante na comunidade. Uma vida que inspira, emociona e permanece viva na memória de todos que a conhecem, eternizada na figura simbólica e comovente de Maria Madalena.

