José Antônio Segato

José Antônio Segato

Biografia

Um Homem de Estrada, de Praça e da Gente

José Antônio Segato, o inesquecível “Zelão Segato”, nasceu em 9 de fevereiro de 1933, em Porto Feliz, terra que não foi apenas seu berço, mas também o cenário de toda uma vida construída com trabalho, dignidade e afeto pelas pessoas.

Filho de Jácomo Segato e Anna Diana, Zelão cresceu em tempos difíceis. Ainda menino, viu sua mãe enfrentar a dureza da vida ao ficar viúva muito jovem. Com uma coragem silenciosa e firme, ela criou sozinha os filhos, sem nunca reconstruir sua própria vida ao lado de outro companheiro. Foi nesse ambiente de luta e união que Zelão aprendeu, desde cedo, o valor da responsabilidade, da honestidade e do cuidado com os outros.

Teve muitos irmãos, mas, como era comum na época, nem todas as crianças da família chegaram à vida adulta. Os que ficaram foram Matilde, Romeu, Vicente, Julieta e Helogio. E essa realidade moldou nele um senso profundo de valorização da vida e das pessoas, algo que carregaria consigo até o fim.

Ainda jovem, encontrou no volante seu caminho. Tornou-se motorista de caminhão, enfrentando estradas longas e poeirentas, transportando açúcar até o Porto de Santos. Era um trabalho duro, solitário muitas vezes, mas digno. E Zelão nunca fugiu dele. Ao contrário, fazia de cada viagem mais um capítulo da sua história de perseverança.

Na década de 1970, decidiu fincar raízes ainda mais firmes em sua cidade e tornou-se taxista na tradicional Praça Coronel Esmédio, a querida “Praça do Chapéu da Madre”. Ali começava não apenas uma profissão, mas uma missão: ser parte da vida das pessoas. Em uma época em que os taxistas eram quase membros da família de tantos moradores, Zelão conhecia nomes, histórias, alegrias e dores. Seu carro era mais do que um meio de transporte, era um espaço de conversa, acolhimento e confiança.

Com o passar dos anos, mudou seu ponto para o Largo da Penha, no antigo mercadão. E, quando o mercado foi demolido, seguiu acompanhando as transformações da cidade, levando seu ponto para a rodoviária nova. Assim foi sua vida: adaptando-se às mudanças sem jamais perder sua essência.

Zelão trabalhou até quando pôde. Até quando o corpo permitiu. Porque, para ele, o trabalho nunca foi apenas obrigação; era dignidade, era identidade.

Na vida pessoal, também construiu uma família. Foi casado duas vezes. Do primeiro casamento com Lourdes, teve seu filho Leonel Segato, eletricista de autos, já falecido. No segundo casamento, com Cecília Leite de Oliveira Segato, teve três filhos: Priscila, Fabiano e Fabiana (gêmeos), que carregam consigo o legado do pai.

Nos últimos anos de vida, enfrentou uma batalha difícil contra a insuficiência renal. Foram seis anos de hemodiálise; uma rotina pesada, marcada por esperança e também por cansaço. Chegou a surgir a oportunidade de um transplante, com um rim compatível, mas Zelão, com seus medos e convicções, preferiu não seguir por esse caminho. Permaneceu firme no tratamento até o fim.

Faleceu em 15 de agosto de 2008. Mas homens como Zelão permanecem na memória das ruas por onde passaram, nas histórias contadas por quem teve o privilégio de conhecê-lo, no exemplo deixado para os filhos e para toda uma comunidade.

Ele foi mais do que motorista. Foi daqueles que ajudaram a construir um tempo em que o trabalho vinha acompanhado de humanidade e, acima de tudo, fidelidade. Zelão Segato foi, acima de tudo, um homem simples, e é justamente nessa simplicidade que reside sua grandeza. Um homem que viveu como muitos, mas que marcou como poucos.

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